Homem-objeto

Ele é útil, prático e está sempre à disposição, pronto para solucionar problemas de qualquer tipo. O homem-objeto, utensílio de cama, mesa e banho, é só isso: aquilo que a gente usa, abusa e joga fora.
por admin

Qual a mulher que nunca sonhou em ter um homem que pague as contas, lave, passe, cozinhe e seja magnífico na cama? Se carregar as compras do mês, trocar a lâmpada que queimou, consertar o vazamento do banheiro e for um espetáculo, digno de ser exibido pra todas as amigas como um troféu, melhor ainda. Enfim, um homem-objeto, desses descartáveis, e, de preferência, com mil e uma utilidades. Nada de vínculos sentimentais. Juras? Só a de estar de prontidão para servir sempre que necessário. Afinal, usar, abusar e jogar fora não é mais exclusividade masculina há tempos.

A arquiteta Adriana Lee sabe muito bem disso. "Quando eu tinha acabado de voltar para o Brasil, conheci um carinha supergostoso, mas que não podia abrir a boca. Não era burro, mas tinha aquele tipo de papo muito "profundo", que estressa qualquer um... gostava de ditados japoneses, essas coisas. Resumindo, nada a ver comigo. Então, deixava ele de 'stand by' e a gente se via mais ou menos uma vez por semana, só pra dar uns amassos e algo mais", conta. Ia tudo muito bem, até que, revoltado com o papel de homem-objeto, o rapaz decidiu que era hora de dar um basta naquela situação. "Ele disse que eu não queria nada sério, o que pra mim não era nenhuma novidade, e que ele não ficava tranqüilo, nunca sabia onde eu estava etc. O verme ainda era ciumento, pode? Mas depois de duas semanas ele ligou e voltamos a sair, só que bastava eu conhecer alguém interessante para sumir. Só ligava pra avisar que estava namorando. Ficamos nisso uns quatro anos", confessa.

A curiosidade também fez com que a economista Fabrícia Rebello experimentasse a sensação de ter um homem sempre à mão. "Eu namorava há séculos e já tinha até me esquecido de como eram os beijos e as 'pegadas' de outros homens. Sexo então... não tinha nem vaga lembrança daquele fogo que consome quem só está preocupado com os orgasmos que um bom encontro pode render. Então, resolvi dar uma recordada", lembra. Fabrícia, que recebia cantadas diárias de um colega de trabalho, casado, aproveitou a 'deixa' e partiu para o ataque. "A gente se encontrava no estoque da empresa no final do dia e fazíamos sexo enlouquecidamente. As coisas começaram a se complicar quando ele resolveu me cobrar uma decisão do tipo "você vai ou não largar o seu namorado pra ficar comigo?". Só aí me dei conta de que ele não estava entendendo nada e abri o jogo: "sinto muito, mas eu achava que você estava querendo o mesmo que eu, sexo!". Ele ficou furioso e até hoje não olha na minha cara", comenta.

Além de adotar a prática do uso do homem-objeto, algumas mulheres também já não se constrangem mais em assumir que, como muitos deles, gostam de desfilar com seus troféus – aqueles homens lindos, maravilhosos e... ocos. "O homem-objeto serve para combinar com o sapato e a bolsa nova. Depois de usado, deve ser devolvido para a estante como se faz com um bibelô após a limpeza", prega a gerente de Recursos Humanos Bianca Murtinho. "É o tipo de cara que não tem direito a papo cabeça, porque isso é coisa para homem feio que precisa de conteúdo para ser minimamente atraente. Essas criaturas devem se limitar a satisfazer as nossas necessidades mais fúteis, sorrir e só!", exagera. E ela garante que os melhores são aqueles que atuam na conta bancária e na cama. "É simples: com o dinheiro dele, a gente arranja uma forma de suprir a ausência em todas as outras áreas, contratando uma empregada, uma cozinheira, um motorista. Assim ele é usado apenas para o que realmente lhe compete: minha satisfação sexual", diverte-se.

Apesar de conhecerem muito bem as artimanhas desse jogo, a maioria dos homens ainda se surpreende quando se vê na posição de "produto descartável". O estudante Rafael Mendes garante que pagou por tudo o que fez às mulheres depois que foi "mastigado e cuspido" por sua última namorada, se é que ela pode ser assim definida. "Ela terminou um namoro de quatro anos e começou a ficar comigo. Só que com o tempo fui percebendo que ela não gostava de mim, mas sim de transar comigo", lembra. "Nossos programas não saíam do circuito motel-casa. Ela dizia que gostava de mim, mas era só a gente sair da cama que ela virava uma pedra de gelo. Só faltava virar pro lado e me dizer: pode bater a porta", conta ele. Todo mundo avisava, mas Rafael demorou a acreditar que, dessa vez, o iô-iô era ele. "Eu achava que era o jeito dela, mas com tempo vi que o que ela queria era manter a vida de solteira, tendo um cara pra transar quando desse vontade. Era óbvio mas, como todo homem que passa por isso, custei a me dar conta. Caí de idiota", admite.

Para a gerente de marketing Paula Kelber, essa inversão de papéis tem explicação. "As mulheres estão cada vez mais egoístas, preocupadas com o próprio sucesso profissional, com poder e satisfação", radicaliza. "Digo isso porque também sou assim. Já usei muito homem, não só pra me satisfazer sexualmente, mas também pela simples necessidade de ter uma companhia para aquelas festinhas banais onde todas as suas amigas carregam o namorado a tiracolo. Só que os meus, eu deixava pendurados na entrada", ironiza. Embora sinta pena dos pobres coitados, Paula diz que já se sentiu, inúmeras vezes, vingada. "Já fui muito usada. Os homens não pensam duas vezes antes de usar uma mulher e, agora, as mulheres estão fazendo o que os eles sempre fizeram. Algumas nem fazem por maldade. Já os homens, desde o começo, têm consciência de que só vão 'comer' e jogar fora", garante.

Mas a utilidade dos homens-objetos não se resume às quatro paredes. A esteticista Simone Garcia confessa que acabou namorando Hélio durante seis meses pela simples necessidade de ter alguém ajudando nos afazeres domésticos. "Não rolava sexo, mas ele me ajudava em tudo. Quando acabava o gás, por exemplo, ele ia até a casa da mãe dele e pegava um bujão pra mim. Ele consertava as coisas em casa, trocava lâmpada, providenciava qualquer coisa que eu precisasse, carregava as compras... sabe aquelas caixas com 12 litros de leite? Ele carregava com um sorriso de orelha à orelha", revela. Para completar, o "eficiente servo" ainda era um cozinheiro de mão cheia. "Fazia um peixe ao forno que era uma maravilha! É horrível assumir isso, mas é verdade. Usei mesmo... e ainda uso sempre que preciso. E o pior é que eu depois sentia até um certo nojo, mas ele era tão útil que não dava pra dispensar. Ainda mais depois de ter ficado noiva por oito anos, eu não estava acostumada a me virar sozinha", justifica.

Um homem-objeto pode ser maravilhoso, útil e imprescindível. Mas se apaixonar por ele pode ser ainda melhor. É aquela velha história de juntar a fome com a vontade de comer. Vira um banquete e tanto!

Categoria:

Matérias Recomendadas

Facebook Comments