Chega junho e, com ele, começam a surgir diversos assuntos ligados ao amor. Um suspiro aqui, uma declaração ali, flores acolá. Neste período, as pessoas ficam com o coração mais mole e, definitivamente, podemos sentir que o romantismo está no ar. É um tal de meu bem pra lá, meu docinho pra cá, e todo mundo fazendo juras de amor. Se são eternas, não sabemos, mas entre um carinho e outro, grandes histórias de amor são escritas. Alguns casais entraram para a história, seja pela intensidade do sentimento, pela relação conturbada, ou por pura sorte em encontrar um companheiro saído dos contos de fada. O Bolsa, então, aproveitou o clima desta época para contar alguns desses casos de amor.
Tragédia amorosa Quando se fala em casal, logo se pensa em Romeu e Julieta. Os personagens do dramaturgo e escritor inglês William Shakespeare atravessaram séculos e até hoje são referências em amor proibido. Passada em Verona, na Itália, a história é sobre o jovem Romeu Montecchio que se apaixona por Julieta Capuleto. Tudo seria normal se as duas famílias não fossem rivais e não permitissem o romance.
Para ajudar os dois amantes, um frei da cidade cria um plano para o casal fugir, sem que os parentes atrapalhassem. A menina toma uma bebida para dormir, dada pelo frei, para que a família pensasse que ela estava morta. O efeito passaria em poucas horas, mas, com o desenrolar da história, Romeu não foi avisado sobre o plano. Ao encontrar Julieta, ele pensa que seu grande amor está morto. Desesperado, Romeu se mata com um punhal. Ela, ao acordar, se depara com a terrível cena e se mata também. É este o desfecho de uma das maiores tragédias da literatura mundial, que até hoje emociona.
Bem, mas não é só da literatura, cinema e teatro que saem grandes histórias de amor. A vida real também é repleta de casais apaixonados, que protagonizam romances muito comentados e seguidos como um enredo de novela.
Vida de princesa Tem gente, por exemplo, que já nasceu com sorte. Imagine trocar uma vida de estrela de Hollywood por uma de princesa? Nada mal, não é? Foi o que a atriz americana Grace Kelly fez sem pestanejar. Ela era a musa dos filmes do famoso diretor de cinema Alfred Hitchcock, o que já a fazia bastante reconhecida. Quando estava filmando "Ladrões de Casaca", no principado de Mônaco, foi convidada a comparecer ao Festival de Cannes, na França. Mal sabia ela que sua vida ia dar uma virada. Lá, conheceu o príncipe Rainier III e se apaixonou.
Em 1956, um ano depois, se casaram, e ela disse adeus à vida de atriz, tornando-se a princesa Grace de Mônaco. Os dois tiveram três filhos: os príncipes Caroline, Albert e Stephanie. A história de amor dos dois teve fim em 1982 por causa de um acidente de carro que matou Grace, aos 52 anos. O príncipe Rainier III morreu no ano passado, e seu corpo foi enterrado ao lado da mulher na Catedral de Monte Carlo.
Realeza Existem amores que resistem ao tempo. Ou melhor, a casamentos. Imagine você manter um relacionamento por anos, suportar o casamento do companheiro com uma mulher idolatrada por um país inteiro, e ver o grande amor da sua vida ter dois filhos? Já reconheceu a história? Pois é, estamos falando do Príncipe Charles e da sua atual esposa Camilla Parker-Bowles. O relacionamento é cercado de polêmicas. Tanto Charles quanto Camilla traíram seus respectivos companheiros e o casamento dos dois ainda não é bem visto pela maioria do povo britânico. Mas é inegável que a relação dos dois é uma prova que não há barreiras para o amor.
Charles e Camilla se conheceram em 1970, um ano antes do herdeiro do trono britânico ir para a Marinha. Eles começaram a namorar, mas nada do príncipe pedi-la em casamento. Camilla resolveu, então, se casar com um oficial da cavalaria britânica, com quem teve dois filhos. Apesar do casamento, Camilla continuou se encontrando com Charles e estava sempre no restrito círculo de amizades do príncipe de Gales. Neste meio tempo, Charles conheceu Diana Spencer, com quem se casaria em 1981.
A relação de Camilla e Charles teve impacto no casamento do príncipe com Diana. Em 1994, Charles admitiu que tinha cometido adultério e Lady Di apareceu na televisão dizendo que seu casamento era composto por três pessoas. Toda a opinião pública, que idolatrava Diana, ficou contra Camilla. No ano seguinte, Camilla se divorciou. Em 1996, foi a vez de Charles e Diana se separarem. Parecia que o caminho estava livre para os amantes, tanto que a idéia do casamento entre os dois começou a ser divulgada para que a população se acostumasse com a nova situação. Mas a morte de Diana, em agosto de 1997, num acidente de carro em Paris, provocou uma onda de críticas contra Camilla. Para evitar polêmicas, ela decidiu sair da vida pública, mas não da vida de Charles.
Aos poucos, Camilla assumiu publicamente o seu lugar ao lado do príncipe de Gales, acompanhando os filhos deles nas férias, bem como estando ao seu lado em cerimônias oficiais. O casal teve um final feliz em 2005. Uma cerimônia civil curta, acompanhada pelo povo e abençoada pela Rainha Elisabeth II, mãe de Charles, oficializou a relação de tantos anos. Mesmo casada com o herdeiro do trono britânico, Camilla não pode se tornar rainha e só poderá ser princesa consorte. E, após o casamento, ela passou a ser duquesa de Cornualha.
Amor entre pincéis Para os artistas, o amor é uma grande fonte de inspiração. Imagine o que seria da pintora mexicana Frida Kahlo se não fosse a paixão intensa que sentia pelo também pintor Diego Rivera? Certamente, telas conhecidas como "As duas Fridas" e "A Coluna Partida" não existiriam. Pintando autoretratos repletos de cores e simbolismos, ela desenhava seus sentimentos e todos os problemas que teve durante a sua vida pessoal e amorosa.
A relação de Frida e Diego foi cheia de altos e baixos, principalmente porque o pintor era extremamente mulherengo. Os dois se conheceram quando ela, ainda jovem, espiava-o enquanto fazia uma pintura na sua escola. Neste mesmo dia, Frida sofreu um grave acidente, que comprometeu sua saúde por toda a vida. Para passar o tempo e suportar a dor, começou a pintar. O passatempo virou paixão e trabalho. Anos mais tarde, já conseguindo caminhar, ela leva algumas de suas telas para que Diego fizesse a crítica. O pintor, que era 21 anos mais velho que ela e já bastante famoso, não levou muito a sério os dotes artísticos daquela menina que se apresentava à sua frente. Mas, naquele momento, já começava existir uma química entre os dois que os levaria ao altar, a contragosto da família de Frida.
Além da paixão pelas artes, os dois eram engajados politicamente. A festa de casamento aconteceu na sede do partido comunista mexicano. O amor intenso que unia Frida a Diego foi capaz de fazê-la suportar as múltiplas traições do pintor. Para expressar seus sentimentos, Frida pintava autoretratos que mostravam a sua vida. Com isso, tornou-se cada vez mais conhecida, mesmo acostumada a viver à sombra do talento do marido, muito famoso nos Estados Unidos. A pintora só não aceitou a traição de Diego com a sua própria irmã, Mia.
Frida também traía Diego, inclusive com mulheres. Quando estava separada, teve como amante o intelectual marxista Leon Trotsky, quando ele se refugiou em sua casa. O "cativeiro" de Trotsky foi achado e Frida acabou sendo presa. Ainda com a vida apontando direções opostas, a paixão de Frida e Diego não acabou. Mesmo com a saúde muito fraca e sem poder andar, ela se casou novamente com Diego. Ficaram juntos até a morte da pintora em 1954. Ele, muito emocionado, reconheceria Frida como "o maior acontecimento de sua vida".
Coração brasileiro Em terras brasileiras, nós também temos exemplos de romances que entraram para a história. O amor é um sentimento tão forte que une as pessoas até na guerra. Quem não conhece Lampião e sua Maria Bonita, personagens da história do Brasil? Foi lutando contra o poder dos coronéis do Nordeste, que Virgulino Ferreira da Silva conheceu Maria Délia. Ela foi a primeira mulher a aparecer junto aos cangaceiros.
Maria Delia se casou aos 15 anos com um sapateiro. Durante uma das constantes separações do marido conheceu Lampião, o chefe do cangaço brasileiro. Ela estava com um pouco mais de 20 anos e ele, com 33. A paixão foi total. Os dois viveram e lutaram juntos e tiveram uma filha, Expedita, em 1932.
Em alguns momentos, Maria Bonita, musa dos cangaceiros, impedia atos cruéis do marido. Ela cuidava do bando de Lampião, cuidando das roupas rasgadas e dos ferimentos. Seguindo o exemplo dela, muitas mulheres entraram no grupo para combater junto com os maridos. A luta dos cangaceiros chegou ao fim em 1938 quando Lampião e Maria Bonita, rei e rainha do cangaço, foram mortos em uma emboscada perto da cidade de Poço Redondo, em Sergipe.
Na subida do morro Do forró para o samba. O morro da Mangueira testemunhou um dos romances mais bonitos da música brasileira: o de Angenor de Oliveira e Euzébia Silva do Nascimento. Você deve estar se perguntando quem são essas pessoas, não é? Que tal, então, chamá-los pelos apelidos Cartola e Dona Zica? Os dois se conheceram nos blocos de rua cariocas e cresceram juntos no morro que dá nome uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio. Mas a vida fez com que os amigos se afastassem.
Decepcionado com as mudanças na escola de samba que fundara, Cartola decide se afastar e vai morar na Baixada Fluminense. Neste tempo, fica viúvo e contrai meningite. Para se sustentar (ele nunca teve trabalho fixo), lavava carros nas madrugadas em Ipanema, Zona Sul do Rio. Em 1952, retorna à Mangueira e reencontra Dona Zica. Após 12 anos vivendo juntos, eles resolvem se casar. O romance rendeu músicas maravilhosas:
As rosas não falam, Nós dois (composta dois dias antes do casamento),
O sol nascerá, entre tantas outras.
Os dois abrem, em sociedade com dois amigos, o botequim Zicartola, ponto de encontro de sambistas e local onde foram descobertos vários talentos da música brasileira.
Em 1980, Cartola morre de câncer, e Dona Zica fica sozinha, preservando a memória do grande compositor até janeiro de 2003, quando falece no Rio de Janeiro.
Na telinha Existem muitos outros romances históricos no Brasil: Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, JK e Sara Kubitschek, Roberto Carlos e Maria Rita. Mais recentemente, dois dos maiores apresentadores da TV brasileira resolveram caminhar juntos. O casamento de Angélica e Luciano Huck parece saído de um conto de fadas.
Angélica sempre teve uma vida amorosa atribulada e seguida de perto pela imprensa. Luciano Huck era o rapaz rico, bem nascido e parecia aproveitar muito bem a vida, namorando famosas, como Eliana e Ivete Sangalo. Depois de trabalharem juntos em um filme, começam um relacionamento acompanhado de perto pelos fãs de todo o Brasil. Não tardou muito e Angélica ficou grávida. Os dois, que já tinham a intenção de subir ao altar, anteciparam a cerimônia e se uniram numa festança no Rio de Janeiro. Ricos, jovens, bonitos e muito queridos pelos espectadores? Só faltava mesmo a chegada do pimpolho Joaquim. E ele veio em março de 2005. Pronto, a família e a felicidade estavam completas.
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