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Infidelidade, deslealdade. Duas palavras capazes de arrepiar até as mulheres mais duronas, seguras de si, e os homens mais vaidosos. Não à toa! Quando a gente fala em casamento, impossível não pensar em casal, em dois. Vida a dois, planos a dois, preocupações a dois e ponto final. Terceiros não são bem-vindos, nem mentiras e omissões. É aí que as coisas se complicam porque se considerarmos que lealdade e fidelidade não têm o mesmo significado, existe, de fato, uma linha muito tênue entre um e outro. Há quem diga que são a mesma coisa. O debate está aberto! De que lado você está?
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Fidelidade é cultura
É certo que fidelidade tem muito mais apelo na nossa cultura, inclusive pela conotação sexual da expressão. "Se buscarmos lá atrás, em tempos mais remotos, vemos que fidelidade tem a ver com a virgindade das mulheres. Era a garantia que o homem tinha de que os filhos seriam realmente seus legítimos herdeiros", conta o psicólogo e professor da PUC-SP Antonio Carlos Amador, autor do livro Ou eu, ou ela (Editora Harbra).
Antigamente, pasmem, ser fiel não era, digamos, de praxe em algumas sociedades. Os casais de Esparta, na Grécia, não davam a mínima para o adultério. Pelo contrário: ele era praticado sem pudores para combater o ciúme excessivo. E nem a Igreja Católica segurou as francesas de Savóia. Uma vez por ano elas se reuniam para visitarem tabernas e se encontrarem com outros homens. Todas, atenção, com o consentimento dos respectivos maridos.
Mas os tempos mudaram. Falar, hoje, em traição, seja como contrário de fidelidade ou de lealdade, é provocar uma centelha num terreno altamente inflamável e explosivo. Por outro lado, a psicóloga Maria Alves Bruns (www.sexualidadevida.com.br) explica que fidelidade e lealdade têm muito mais a ver com o pacto que o casal estabeleceu para si do que com qualquer outra coisa. "Ser fiel e ser leal são dois atributos complementares que andam de mãos dadas. No meu entendimento, para ser leal é preciso ser fiel e vice-versa", diz a psicóloga. Mas ela admite que nada no mundo dos relacionamentos amorosos é tão simples e tudo depende do modo como o casal acerta certas regras da relação.
O que eles e elas pensam
Para Elaine Cristina Pires, advogada, há toda a diferença do mundo entre uma coisa e outra. "A fidelidade diz respeito ao relacionamento, enquanto a lealdade é um sentimento maior e mais individual", explica. Ela acredita que, para uma pessoa ser leal à outra, é preciso, em primeiro lugar, ser leal a si mesma. "Acho que a lealdade vem antes de tudo, porque alguém pode ser infiel, mas leal, como também pode ser completamente desleal, sem nunca ter sido infiel", opina Elaine Cristina.
"Leal a si mesma e infiel ao outro? É possível trair, mas continuar sendo leal ao casamento?", indaga Kátia Santana, administradora de empresas. "Isso, a meu ver, não existe. Quando a pessoa é infiel, de tabela acaba sendo desleal. Quando se trai um amigo ou um amor, você está sendo infiel e desleal: infiel com o amigo ou parceiro, e desleal consigo mesma", defende.
Fred Peixe, autônomo, discorda. Na opinião dele, fidelidade tem mais a ver com interesses sexuais e lealdade está relacionada a valores, personalidade, caráter. E confessa: "Sou casado há 25 anos, apaixonado pela minha esposa, entretanto acho que ela não tem mais atração sexual por mim. Sou um homem saudável, preciso e tenho vontade de ter uma vida sexual ativa, então às vezes fico com outras mulheres, mas nada sério - e nem quero! Vou terminar meus dias com a minha esposa". "Acho que não sou infiel, sou?", completa.
Situação parecida mexe com a vida do empresário Marcos Lopes*, um homem casado, sim, mas só até pisar em seu escritório. Lá, Marcos não se intimida: assiste a filmes pornôs e solta todas as suas feras em cima de quem ele está interessado. Para ele, rapidinhas no escritório não são traição e só seriam se ele levasse as mulheres para o motel. Segundo Marcos, que apesar de se considerar leal ao casamento enfrenta dilemas de consciência, a carne é fraca.
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