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Vício:
ví.ci:o Substantivo masculino.
1.Defeito grave que torna uma pessoa ou coisa inadequada para certos fins ou funções.
2.Conduta ou costume nocivo ou condenável.
3.Prática irresistível de mau hábito, em especial de consumo de bebida alcoólica ou de droga.
Lendo esta definição, você provavelmente pensa em um dependente químico, certo? Como um alcoólatra. Ou até mesmo um jogador compulsivo. Mas já imaginou ser viciado em amor? Ou em alguém? Pois é, este vício também existe e se chama dependência emocional. A maior diferença é o fato de que as drogas, o álcool e até o jogo podem prejudicar muito a família da pessoa no percurso. Porém, se sofre com a dependência emocional, saiba desde já que a maior afetada será você.
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As atitudes, muitas vezes confundidas com sinais de afeto intenso e uma leve carência, também não serão apontadas como nocivas pelos outros. No final, cabe a própria pessoa avaliar se está passando dos limites, pois, algumas vezes, ‘amar demais' pode devastar vidas.
Identificando o problema
Você deve estar se perguntando "mas como posso saber se estou apenas carente ou me tornei dependente?" Bem, uma das respostas já está na pergunta: ‘estar' indica uma situação transitória, uma fase, o que é diferente de ‘ser carente'. A dependência emocional se caracteriza pelo medo constante de estar só. A liberdade, tão valorizada por certas pessoas, de fato, aterroriza outras, que se submetem a quase tudo para não precisarem lidar com ela.
Uma das primeiras atitudes observadas é a omissão de opinião para evitar conflito. A pessoa começa a ‘sumir' na relação; sua vontade fica apagada. Discordar, então, nem pensar! A simples possibilidade de uma discussão mais acalorada gera a impressão de que pode levar a uma briga sem volta e, na mesma hora, aciona na mente o botão ‘perigo', sinalizando que a situação deve ser evitada ao máximo. Literalmente.
Rita Granato, psicóloga clínica e psicanalista, afirma que também é comum transferir o problema para o companheiro. "A mulher que ama demais desenvolve um comportamento inadequado. Ela nega sua dificuldade de se relacionar, culpando e acusando o parceiro. Não percebe que a opção de estar neste relacionamento é dela. Na verdade, sua doença faz com que sempre busque relações inadequadas e autodestrutivas", explica.
Desta forma, a pessoa usa o outro como uma droga para fugir de si mesma. A designer Sílvia Toledo admite que segue este padrão: "Tive quatro relacionamentos sérios, e, em todos eles me senti presa aos namorados. Tinha medo de ficar sozinha e achava que não tinha amigos para me fazer companhia. Acabava arrastando as situações, mesmo quando não havia mais amor", comenta ela.
Viva um dia de cada vez
De acordo com a doutora Rita, a raiz do problema está em relacionamentos conturbados vividos na infância, que promoverão padrões vitalícios. "A dependência emocional é como qualquer outra: existe uma recuperação, mas não uma cura. Quem é alcoólatra, será para sempre". Isto é importante para entender que o tratamento não se dará de um dia para o outro, mas sim, aos poucos. "Um dia de cada vez!", ela enfatiza.
Procurar uma terapia é o primeiro passo na luta contra estes modelos de comportamento, pois fará com que a pessoa recorde situações que possam tê-la moldado emocionalmente. Os temores e inseguranças devem ser trabalhados, e finalmente enfrentados. Para quem se sente acolhida participando de reuniões com outros que sofrem com os mesmos conflitos, existe o MADA - Mulheres que Amam Demais Anônimas, um grupo nos mesmos padrões do AA (Alcoólicos Anônimos), seguindo passos e realizando reuniões semanais em várias cidades brasileiras.
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