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Muita gente planeja a agenda sentimental de olho no Carnaval. Por exemplo: termina o namoro no começo do ano para poder cair na folia. Ou não arrisca sair a segunda vez com um bom candidato a namorado com medo de se envolver às vésperas do Carnaval. É inegável que a data carrega essa energia de paquera, sedução e muito beijo na boca sem compromisso.
Mas no meio dos blocos, bailes à fantasia e trios elétricos, há quem, mesmo estando empenhado aos prazeres da carne, acabe entregando o coração. Entre um bumbumbaticumbum e outro, casais se formam de maneira apaixonada e definitiva.
Amor com tamborim
A funcionária pública Gláucia F., 36 anos, estava preparada psicologicamente para encarar quantidade e não qualidade. Mas como diz o ditado, quando menos se espera é que as coisas acontecem - no caso, no meio da farra do Momo. "Eu não estava preocupada em encontrar o amor e de repente apareceu este homem que mudou tudo, bem no meio do Carnaval", resume.
Gláucia conheceu o marido com os dedinhos para cima, num bloco. "Logo nos beijamos. No beijo, descobrimos que estávamos no mesmo hotel. Expulsamos o amigo dele do quarto e transamos a noite toda. Eu tinha certeza de que não o veria nunca mais", conta Gláucia, que não esperava passar o resto do carnaval com ele e, muito menos, o resto da vida! "Começamos a namorar, nos casamos e já temos uma filha", se derrete ela, que nunca mais pulou Carnaval. "A gente prefere uma coisa mais tranquila. Pode ser uma viagem ou só uns dias de descanso", diz agora.
Depois de terminar um relacionamento sério, o que muita gente quer é cair na folia. Recém-separada, a roteirista Márcia V., de 30 anos, estava a fim de festejar sua liberdade no Carnaval com o maior número de pretendentes possível. Mas logo no primeiro dia de folia... "Um garoto se aproximou e começou a ocupar o espaço em que eu estava com as minhas amigas. Fiquei com raiva e comecei a dançar freneticamente para, aos poucos, empurrá-lo dali. Ele percebeu e puxou conversa", lembra.
Márcia, em poucas falas, passou a ver o intruso com outros olhos. "O papo fluiu e nem parecia que era Carnaval, não teve pressa, não teve nem beijo. Quer dizer, trocamos telefones e nos despedimos com um selinho", revela a jornalista. "Fiquei procurando ele pelos blocos o tempo todo, só encontrei no último dia. Desde então estamos juntos e fazemos aniversário nos blocos, pulando, no maior astral", diz ela. Os dois pretendem se fantasiar de noiva e noivo no ano que vem.
Atrás do trio elétrico
Ela nunca tinha cogitado passar o Carnaval na Bahia. "Muita bagunça", dizia a dentista Íris B., de 28 anos, na época com 20. Mas as amigas insistiram e ela topou. No avião, conheceu um rapaz mais velho, todo enturmado com a galera da excursão, por quem teve simpatia, mas nenhuma segunda intenção. "Não rolou atração física de início. Aí, na hora do trio, tinha essa música que falava: 'Vamos dar a volta no trio' e todo mundo ficava correndo em volta. Eu nunca tinha visto nada igual e ele, escolado, me levou pra participar", lembra Íris, que se divertiu muito.
"No final da volta, estávamos super colados, aliás, era impossível não grudar naquela confusão. E nos beijamos", conta ela, que passou todos os dias de folia dando infinitas voltas no trio com o novo par. "Nos apaixonamos e vivemos uma história por alguns meses, mas indo pra micaretas, shows de axé, sempre nesse ritmo. Chegou uma hora em que não deu mais e nos separamos", diz, certa de que Carnaval tem que ser uma só vez por ano.

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