Amor

Amor e preconceito

por Daniela Pessoa | 27/10/2009

A felicidade amorosa deve ser colocada acima de qualquer tabu?


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Já Cristina Mathias, designer, não teve a mesma sorte do final feliz. "Meu primeiro relacionamento foi perfeito, o melhor da minha vida, mas não deu certo por causa do preconceito de idade. Eu tinha 17 e ele, 32", conta. O preconceito não era dos pais nem dos amigos, mas do próprio namorado. "Ele era uma pessoa muito vaidosa, pensava na aparência, no desempenho, se ia me satisfazer, se eu não teria curiosidade de experimentar relações sexuais com outros homens, já que ele foi o meu primeiro. Também não conseguia imaginar como seria a questão do casamento, dos filhos e não acreditava que eu, quando estivesse no auge dos 30, ainda me interessaria por um homem beirando os 50", explica.

Para piorar, a sogra parecia não apoiar o relacionamento do filho com uma adolescente, apesar de Cristina ter sido sempre muito madura. "A mãe torcia pela ex e colocava muita pressão contra a nossa relação. Ele cedeu", lamenta.

“Meu primeiro relacionamento foi perfeito, o melhor da minha vida, mas não deu certo por causa do preconceito de idade. Eu tinha 17 e ele, 32”

Enquanto o relacionamento de Cristina com o homem 15 anos mais velho não vingou, o da jornalista Alice* nem começou. O motivo? Mais uma vez, o preconceito. "Conheci um homem lindo em uma boate. De repente, ele foi se aproximando e começou a dançar comigo. Muitas músicas depois, começamos a conversar. Nome, o que fazíamos, idade... Foi aí que ele mentiu", revela. "Depois que eu contei que tinha 20 anos, ele me pediu para adivinhar a idade dele. Chutei 28, mas ele me corrigiu, dizendo que tinha 25". E assim a noite foi passando, passando, mas nada rolou. Antes de ir embora, Alice tomou a iniciativa de pedir o telefone dele e, dias depois, mandou uma mensagem. Começaram a se falar com freqüência.

"Numa das ligações, ele confessou que queria muito sair comigo, mas que eu era muito nova para um cara que já ia fazer 33 anos. E brincava dizendo que iria ser preso se a gente se envolvesse", diverte-se a jornalista. Não se dando por vencida, Alice rebateu, dizendo que o rapaz estava se preocupando com um detalhe muito leviano. "Dei até o exemplo do meu pai e da mulher dele, quase 25 anos mais nova", conta. "Mas não adiantou, nada o convenceu. Ele não quis nem arriscar comigo. Assim, deixamos de viver algo que poderia ter sido muito legal se ao menos tivéssemos tentado. Bom, acho que eu, pelo menos, fiz a minha parte", garante Alice.

Um casal, duas culturas

Ana Maria* é professora casada com um americano, mora nos Estados Unidos há três anos e também sofre na pele o preconceito - de ser brasileira. "As pessoas costumam fazer piadas de extremo mau gosto e comentários muito maldosos. Ainda tem muito aquela coisa de 'ela se casou com ele só para ganhar o visto e ainda ficou grávida para segurar o marido'. Meu filho é pequeno, mas sei que ele sente que nem sempre somos bem-vindos, que pertencemos a 'outro mundo'", indigna-se.

A professora conta que as duas famílias não foram muito a favor do casamento, mas que, apesar das dificuldades, ela não se arrepende. "Meu marido e eu somos felizes, só temos alguns atritos na hora de educar o nosso filho - dentro de casa, pelo menos, eu defendo a criação à moda brasileira", diverte-se ela.

Segundo Anna Paula Uziel, professora do Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o desejo, a paixão e o amor são livres, mas o preconceito é a amarra. A psicóloga Olga Tessari completa: "No fundo, o problema está na diferença". Ela ressalta que, se o casal souber administrá-la, evitando conflitos, mágoas e mal entendidos futuros, é totalmente possível ter um relacionamento "ad infinitum" (ou para sempre).

Para driblar as críticas daqueles que têm preconceitos, não permitindo que elas interfiram no equilíbrio do casal, é importante desconstruir e renegociar os pré-julgamentos através do diálogo. Para isso, é preciso ter paciência. "Se, ainda assim, não der certo, vale a pena ousar e lutar. Um confronto direto pode chocar no sentido de gerar mudança", aconselha Anna Paula Uziel. Se o amor vence no final? Comemore, porque a resposta é sim! Desde que o casal se aceite e desde que saiba lidar de forma positiva com as pressões sociais e familiares, exigindo respeito de todos.

* Os nomes foram alterados a pedido dos entrevistados

Leia também:

- Ele é mais velho - As dores e as delícias de namorar um homem mais experiente.

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- Esse relacionamento vale a pena? - Saiba quando investir ou quando desistir de uma relação.


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últimos comentários (44)

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  • Sintia1
    Sintia1 comentou:
    08/02/2011 | 21:43

    O amor pode quebrar qualquer traço de "orgulho e preconceito". Ame por inteiro sem se preocupar com o que dizem.

    Sofri preconceito com minha mãe que não aceitava meu namorado pelo simples fato dele morar em favela, não se vestir como ela acha que ele deveria se vestir, com o modo dele cortar o cabelo, etc... Hoje ela aceita pois ele provou o que ele é e não o que ela achava q ele era.


  • LOVELYRE
    LOVELYRE comentou:
    08/02/2011 | 19:13

    Oi escorpiana, tbm vou responder sua mensagem pois da mesma forma que me identifiquei com a da Lica, me identifico tbm com a sua! No meu caso, a parte em que vc fala do fato de ter mais cultura e estudos que seu namorado... quando ceomecei a namorar com o meu, além do preconceito da familia dele, tinha esse tbm em efeito rebote: pessoas do meu circulo de convivio (não vou dizer de amizade) vieram me dizer que não íamos dar certo pois tínhamos níveis culturais muito diferentes. Enquanto eu sou formada, falo três idiomas, conheço arte, morei fora do país, meu namorado ainda estava cursando uma faculdade, gostava de pagode e samba e mal falava nosso idioma direito que dirá outros estrangeiros! Foi difícil pois a cada evento que amigos organizavam eu o incluía no passeio, levava-o e o aprsentava a varias pessoas influentes... Certo dia, em um desses eventos, começaram uma conversa esnobe sobre museus da europa, etc... Percebi que meu namorado estava meio confuso e tomei a palavra. Desde esse dia, resolvi que iria tentar levar ao conhecimento dele algumas coisas bem basicas sobre arte, livros, musica, etc.. não que isso fosse importante e nem que ele tivesse obrigação. Conversamos e eu expliquei o quanto tinha orgulho dele e que ele nao precisaria ler nem assistir nenhum filme bobo, nem nada para provar nada a seu ninguém, mas para minha surpresa, ele aceitou minhas pequenas aulinhas sobre certos assuntos triviais. Nem precisa dizer que ele por si so se interessou muito nos assuntos, e que se mantem informado ate hoje, evitando desconfortos em conversas seja qual for o tema . Mas ate hj nao consigo entender o pq de certas pessoas se incomodarem com o fato de termos formação e conhecimentos intelectuais diferentes, se na verdade o que importa mesmo é o respeito, o carinho e a cumplicidade entre o casal. Eu acho que fechar os olhos para o preconceito pode ser uma saída mas não é a solução. Na minha opinião, nao devemos apenas fechar os olhos, devemos além disso, desenvolver estratégias de eliminação e repelencia do fato.
    Desejo a vcs muita sorte e muita paz e que em td que decidam fazer, o amor esteja à frente, de qq decisão que possam precisar tomar! Um grande beijo pra vcs!


  • LOVELYRE
    LOVELYRE comentou:
    08/02/2011 | 18:03

    Oi Lica, td bem? Vou responder a sua mensagem pois me identifiquei com ela. A diferença de idade entre vcs é ínfima! Veja minha historia, que tem até um quê de sordidez (da parte do pai do meu namorado). Eu tenho 40 anos, fui casada durante 10 anos e tenho 3 filhos, crescidos, de 23, 18 e 16 (tive meu mais velho com 18 anos apenas, quando me casei). Me separei há mais ou menos dez anos e há quatro anos namoro um rapaz de 30. A familia dele é incrivelmente contra, não me aceita d ejeito nenhum, é uma mistura de preconceitos entre de idade, condição de vida e tbm de origem, já que sou de Belém - PA, norte do país, o que para eles também influencia na minha "aceitação" no clã deles. Risos. Já sofri muito ´por conta disso, já ate compartilhei minha historia aqui no Bolsa, na época em que eu vivia triste e desolada com esse fato. Olha minha querrida, pois vou dizer a vc: eu fui ficando cada vez mais forte a respeito dessa hisotirnha idiota que chegou ao ponto de, meu namorado que antes não tocava muito no assunto de casarmos e termos casa, etc.. agora com tanta pressão da familia preconceituosa dele, ele vive falando no assunto, vive propondo mil coisas, etc. Vc acredita que a sordidez do pai dele é tanta que ele rompeu o diálogo com o filho? Minha querida, não vou dizer pra vc que eu tenho a total segurança do mundo nessa relação, que eu me sinta confortável em não ser convidada para NADA em familia, que seja excluida de todos as viagens, passeios, etc.... eu relamente não gosto disso mas isso NÃO ME AFETA MAIS! Chegou uma hora em que eu fiquei imunizada, Lica, e acredito que vc e seu querido tbm ficarão assim: imunes a td e qualquer (tentativa de ) intromissão e nariz torcido para o amor de vcs! E olha que vc está bem mais em vantagem do que eu: vc já é esposa dele, mãe de uma filha dele, certo?
    Eu, claro, naturalmente assim como vc, me sensibilizo pois o preconceito é uma coisa que fere e dói, feito picada de cobra, não importa qual seja a sua natureza. Mas nós temos o antídoto para este veneno e temos armas necessárias para nos sobressairmos! Os meus "sogros" - se assim posso chama-los - me odeiam tanto que chegaram ao ponto de construir um super hiper mega "quarto - suite - mini apartamento" para meu namorado, com td o conforto que vc possa imaginar - não adiantou, ele passa a maior parte do tempo na minha casa... odeio esse clima idiota de competição, não entro nessa! Nunca pedi para que meu namorado se desfizesse da familia dele por minha causa, se ele está comigo ainda td esse tempo é pq gosta de mim e sente bem ao meu lado...
    peço desculpas por escrever tanto, mas tbm peço a vc que não desista nunca da sua familia, nem leve em conta nenhum desacato, destempero, nem nada vinda de quem não ama vc como vc merece. Um dia teremos o reconhecimento que meremecemos por fazer o filho deles ser um homem feliz e realizado. Fique com Deus, um beijo e obrigada!


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