Amor

Amor e preconceito

por Daniela Pessoa | 27/10/2009

A felicidade amorosa deve ser colocada acima de qualquer tabu?


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Amor e preconceito

Era uma vez o amor intenso, a paixão avassaladora. Fórmula perfeita, tudo para dar certo. No entanto, entra em cena um vilão: o preconceito. Ele traz à tona julgamentos infundados a respeito do amor, baseados em detalhes como classe social, cor da pele, cultura e idade - tipos de discriminação que pensamos estarem superados. Será?

Infelizmente, não. Muitos casais encontram na discriminação o principal obstáculo para o romance e ouvem dizer que rico e pobre, negro e branco, velho e novo não se misturam. Tais histórias podem ter o merecido "felizes para sempre"? No embate amor versus preconceito, há enamorados que desafiam padrões sociais, amigos e família. Até onde você iria?

Da ficção para a vida real

Contra Dé e Nina, o mundo. A favor deles, o amor. Nada mais atual do que o filme "Era uma vez...", do diretor Breno Silveira, para retratar os dissabores do preconceito na vida de um casal disposto a lutar pelo relacionamento a qualquer preço. De um lado, Dé, filho de empregada doméstica e morador da favela do Cantagalo, no Rio. Do outro, Nina, filha única de uma família rica da Avenida Vieira Souto, em Ipanema. Os dois se apaixonam e, juntos, vivem um romance tido como improvável. Alvos de críticas e olhares enviesados devido ao abismo econômico e social existente entre eles, Dé e Nina são o retrato, na ficção, da intolerância que balança o romance de muita gente do "mundo real".

“Era bem difícil, porque os meus amigos diziam que não ia dar certo, que a diferença era muito grande, que a gente não ia ter papo, que depois de passada a química de pele não sobraria mais nada”

É o caso da nutricionista Giovana* e do técnico de informática Mateus*, juntos há seis anos. "Foi amor à primeira vista", derrete-se a moça. Logo que se conheceram, engataram um namoro sério, o que assustou os pais dela. "Eu achava que os meus pais implicavam com ele por ser o meu primeiro namorado firme. Mas, aos poucos, percebi que não era isso. O preconceito velado foi se tornando cada vez mais explícito e insuportável", conta.

Giovana mora na Zona Sul do Rio e Mateus, em um bairro da periferia da cidade. Ela conta que os pais não aceitavam essa diferença. "Eles diziam que o fato de a filha ter escolhido um namorado 'pobre' era até aceitável, mas mulato já era demais. 'Netinhos negros? Nem pensar!', como se ser humano tivesse pedigree!", revolta-se.

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A solução foi namorar às escondidas. "Era bem difícil, porque os meus amigos também diziam que não ia dar certo, que a diferença era muito grande, que a gente não ia ter papo, que depois de passada a química de pele não sobraria mais nada. Cheguei até a ouvir que o Mateus era interesseiro, que queria o status de namorar uma menina 'rica' e branca", diz Giovana.

Pré-conceitos

De acordo com a psicóloga e escritora Olga Tessari, o ser humano teme tudo aquilo que é diferente e, por isso, faz julgamentos antecipados. "Você oferece um alimento estranho, desconhecido, e a pessoa logo diz 'eu não gosto', mesmo sem nunca tê-lo provado", exemplifica. Sendo os relacionamentos baseados em afinidades, é de se esperar, portanto, que seja difícil lidar com as diferenças. "Por isso o primeiro impulso da família e dos amigos é discriminar. Mas, no fundo, eles desejam apenas o melhor e esquecem que o que é bom para eles nem sempre é o que é bom para o outro", explica a psicóloga.

"Por medo de ter que agüentar mais e mais julgamentos, cheguei até a esconder o Mateus de pessoas que ainda não o conheciam", confessa Giovana. O namoro começou a desandar. "Ele dizia que me amava, mas que não queria me ver em pé de guerra com o mundo inteiro. Lembro exatamente das palavras dele: ‘Não quero mais que a gente seja invisível. Acho que, isso sim, faria a gente não dar certo'. Então, decidi enfrentar o preconceito de uma vez por todas", relata.

A nutricionista aproveitou um almoço de família para resolver a situação. "Quando apareci de mãos dadas com o Mateus na casa dos meus tios foi um choque geral. Lembro dos olhares de espanto até hoje", diz. Antes de dar margem a qualquer comentário, disparou o discurso que, segundo ela, havia treinado a semana inteira. "Eu estava tão nervosa que nem lembro direito o que eu falei, mas garanti que estava muito feliz. Se ia dar certo? Nem eu, nem ele sabíamos, mas eu disse que achava que merecíamos tentar. Chorei muito, meus pais viram que eu estava sofrendo", relembra Giovana.

Foi então que a família começou a dar uma chance ao rapaz. Aos poucos, os amigos também. "Quem ouve não acredita, parece até novela, né?", ri Giovana. "Agora todo mundo respeita muito o Mateus, viram que ele não é melhor nem pior do que ninguém e que é uma boa pessoa", comemora.


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últimos comentários (46)

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  • Sintia1
    Sintia1 comentou:
    08/02/2011 | 21:43

    O amor pode quebrar qualquer traço de "orgulho e preconceito". Ame por inteiro sem se preocupar com o que dizem.

    Sofri preconceito com minha mãe que não aceitava meu namorado pelo simples fato dele morar em favela, não se vestir como ela acha que ele deveria se vestir, com o modo dele cortar o cabelo, etc... Hoje ela aceita pois ele provou o que ele é e não o que ela achava q ele era.


  • LOVELYRE
    LOVELYRE comentou:
    08/02/2011 | 19:13

    Oi escorpiana, tbm vou responder sua mensagem pois da mesma forma que me identifiquei com a da Lica, me identifico tbm com a sua! No meu caso, a parte em que vc fala do fato de ter mais cultura e estudos que seu namorado... quando ceomecei a namorar com o meu, além do preconceito da familia dele, tinha esse tbm em efeito rebote: pessoas do meu circulo de convivio (não vou dizer de amizade) vieram me dizer que não íamos dar certo pois tínhamos níveis culturais muito diferentes. Enquanto eu sou formada, falo três idiomas, conheço arte, morei fora do país, meu namorado ainda estava cursando uma faculdade, gostava de pagode e samba e mal falava nosso idioma direito que dirá outros estrangeiros! Foi difícil pois a cada evento que amigos organizavam eu o incluía no passeio, levava-o e o aprsentava a varias pessoas influentes... Certo dia, em um desses eventos, começaram uma conversa esnobe sobre museus da europa, etc... Percebi que meu namorado estava meio confuso e tomei a palavra. Desde esse dia, resolvi que iria tentar levar ao conhecimento dele algumas coisas bem basicas sobre arte, livros, musica, etc.. não que isso fosse importante e nem que ele tivesse obrigação. Conversamos e eu expliquei o quanto tinha orgulho dele e que ele nao precisaria ler nem assistir nenhum filme bobo, nem nada para provar nada a seu ninguém, mas para minha surpresa, ele aceitou minhas pequenas aulinhas sobre certos assuntos triviais. Nem precisa dizer que ele por si so se interessou muito nos assuntos, e que se mantem informado ate hoje, evitando desconfortos em conversas seja qual for o tema . Mas ate hj nao consigo entender o pq de certas pessoas se incomodarem com o fato de termos formação e conhecimentos intelectuais diferentes, se na verdade o que importa mesmo é o respeito, o carinho e a cumplicidade entre o casal. Eu acho que fechar os olhos para o preconceito pode ser uma saída mas não é a solução. Na minha opinião, nao devemos apenas fechar os olhos, devemos além disso, desenvolver estratégias de eliminação e repelencia do fato.
    Desejo a vcs muita sorte e muita paz e que em td que decidam fazer, o amor esteja à frente, de qq decisão que possam precisar tomar! Um grande beijo pra vcs!


  • LOVELYRE
    LOVELYRE comentou:
    08/02/2011 | 18:03

    Oi Lica, td bem? Vou responder a sua mensagem pois me identifiquei com ela. A diferença de idade entre vcs é ínfima! Veja minha historia, que tem até um quê de sordidez (da parte do pai do meu namorado). Eu tenho 40 anos, fui casada durante 10 anos e tenho 3 filhos, crescidos, de 23, 18 e 16 (tive meu mais velho com 18 anos apenas, quando me casei). Me separei há mais ou menos dez anos e há quatro anos namoro um rapaz de 30. A familia dele é incrivelmente contra, não me aceita d ejeito nenhum, é uma mistura de preconceitos entre de idade, condição de vida e tbm de origem, já que sou de Belém - PA, norte do país, o que para eles também influencia na minha "aceitação" no clã deles. Risos. Já sofri muito ´por conta disso, já ate compartilhei minha historia aqui no Bolsa, na época em que eu vivia triste e desolada com esse fato. Olha minha querrida, pois vou dizer a vc: eu fui ficando cada vez mais forte a respeito dessa hisotirnha idiota que chegou ao ponto de, meu namorado que antes não tocava muito no assunto de casarmos e termos casa, etc.. agora com tanta pressão da familia preconceituosa dele, ele vive falando no assunto, vive propondo mil coisas, etc. Vc acredita que a sordidez do pai dele é tanta que ele rompeu o diálogo com o filho? Minha querida, não vou dizer pra vc que eu tenho a total segurança do mundo nessa relação, que eu me sinta confortável em não ser convidada para NADA em familia, que seja excluida de todos as viagens, passeios, etc.... eu relamente não gosto disso mas isso NÃO ME AFETA MAIS! Chegou uma hora em que eu fiquei imunizada, Lica, e acredito que vc e seu querido tbm ficarão assim: imunes a td e qualquer (tentativa de ) intromissão e nariz torcido para o amor de vcs! E olha que vc está bem mais em vantagem do que eu: vc já é esposa dele, mãe de uma filha dele, certo?
    Eu, claro, naturalmente assim como vc, me sensibilizo pois o preconceito é uma coisa que fere e dói, feito picada de cobra, não importa qual seja a sua natureza. Mas nós temos o antídoto para este veneno e temos armas necessárias para nos sobressairmos! Os meus "sogros" - se assim posso chama-los - me odeiam tanto que chegaram ao ponto de construir um super hiper mega "quarto - suite - mini apartamento" para meu namorado, com td o conforto que vc possa imaginar - não adiantou, ele passa a maior parte do tempo na minha casa... odeio esse clima idiota de competição, não entro nessa! Nunca pedi para que meu namorado se desfizesse da familia dele por minha causa, se ele está comigo ainda td esse tempo é pq gosta de mim e sente bem ao meu lado...
    peço desculpas por escrever tanto, mas tbm peço a vc que não desista nunca da sua familia, nem leve em conta nenhum desacato, destempero, nem nada vinda de quem não ama vc como vc merece. Um dia teremos o reconhecimento que meremecemos por fazer o filho deles ser um homem feliz e realizado. Fique com Deus, um beijo e obrigada!


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