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"É melhor ser alegre que ser triste", já cantou Vinícius de Moraes. Mas o que fazer quando somos colocados diante de situações difíceis, daquelas que parecem não nos deixar nenhuma opção que não seja o sofrimento?
Que a vida continua e que devemos seguir em frente, todos sabemos. Porém, algumas vezes a sensação é de que a única saída é continuarmos nos arrastando através dos dias e de que a dor nunca mais deixará de nos fazer companhia.
É muito comum, em momentos de crise extrema, querermos encontrar explicações ou motivos para o que nos acontece. Muitas vezes acaba sendo mais fácil e reconfortante eleger um responsável para podermos descarregar todos os nossos sentimentos ruins. Passamos a culpar Deus, o destino, alguém que não nos apoiou suficientemente e por aí vai.
Na mesma proporção em que projetamos a culpa em algo ou alguém, também passamos a sentir muita pena de nós mesmos. É difícil resistir à tentação de se colocar como a vítima e pensar em alguma outra pergunta que não seja: "Por que logo eu?" ou "O que eu fiz pra merecer isso?".
É justamente nesses momentos que deve entrar em cena o nosso poder transformador: a capacidade de fazer da dor, emoção boa; da falta, encontro; das dificuldades, aprendizado. Obviamente nada disso é feito num passe de mágica, pelo contrário, exige esforço e uma certa dose de coragem.
As coisas acontecem porque têm que acontecer e são como são. Contra isso não podemos lutar. Mas a forma como encaramos determinados acontecimentos é fundamental. Para começar, que tal focarmos na solução e não no problema? Tudo isso passa por um poder de escolha que está à nossa disposição o tempo inteiro, mas que muitas vezes nem damos atenção.
O universo possui suas leis e uma ordem natural a qual todos estamos sujeitos, mas não podemos encarar o destino como algo estático e fatalista. Não estamos à mercê desta força e só compreendemos isso quando passamos a exercitar a parte que nos cabe na vida, que é o esforço pessoal de direcionar nossas escolhas e assumir conscientemente as rédeas do nosso livre arbítrio. Desta forma podemos encontrar um equilíbrio entre a realidade mais ampla que nos cerca e a disposição pessoal para vivermos sempre o nosso melhor.
Portanto, diante de circunstâncias adversas podemos escolher se vamos encará-las como punições ou como oportunidades. Ainda assim, se em determinado momento não tivermos condições de adotar a visão mais otimista e construtiva, podemos escolher continuar tentando mudar nossa atitude, o que já é um grande passo em direção ao crescimento pessoal e à superação das adversidades.
Isso não significa vestir um manto de alegria alienada e sair por aí negando o sofrimento. A fuga é tão destrutiva quanto a resignação. Se a dor existe, ela precisa ser encarada e vivenciada para que possa ser transmutada. Porém, ao adotarmos uma postura de aceitação dos nossos limites e disposição para honrar e absorver todas as lições que nos são oferecidas, quando a dor passar - e ela sempre passa - poderemos olhar pra trás com compaixão e gratidão, conscientes de que a vida nos convidou a renascer e que, assim, nos transformamos e nos tornamos mais fortes.
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